Cavaleiros da Razão

Posted: May 21st, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

a vida e as suas mentiras,
contos de fada efémeros,
sonhos mutilados,
culpa de um repouso dormente,
alheio a esse corpo despido,

inocente…

cru…

apagado…

beco de ausência e fumo,
realidade conturbada,
raízes e palavras enterradas,
em caixas de madeira apáticas,
de olhares que se afastam,
de quem dá e tira,
cavaleiros da razão,
inimigos dos sentidos,
da ridícula natureza humana…

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
Share on Facebook

Muros

Posted: May 18th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

estava sentado…

sentado no velho muro de pedra,
musgo e latão escorriam arrastados,
pelo tempo que quebra,
a sóbria desilusão de ti,
de flor italiana,
a princesa deslavada,
em acre rendilhado na voz,
de títere da vida desamarrado,
escrava de um destino atroz,
prolixidade arrebatadora,
ao receio de nós,
nesta censura avassaladora,
que nos tem sós…

levanto a sombra,
ergo-me em fatias de orgulho,
e afasto-me…

afasto-te…

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
Share on Facebook

Ser o Amanhã

Posted: May 15th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

ruídos solidários com a tua dor,
batem na velha porta de cedro,
deste coração de telhados de colmo,
onde a chuva repousa em segredo,
num tropego latejar em declive,
entre fendas remendadas de desprezo,
e correntes de ferrugem do passado,
dessa menina arisca endiabrada,
de olhos de vidro e brilho e vida,
e a selva no horizonte isolada,
protegida entre pestanas enroladas,
ofuscada na mágoa da descoberta,
ao descascar da alma enigmática,
nesse doce colorido âmbar e lacrimoso,
onde jaz este ser ocioso,
bonifrate ao alcance dessa aura,
dessa presença camuflada,
de criança mal amada,
na inconsequência desse nome,
mártir dos meus pecados,
ar de futuro incerto,
rimas e encruzilhadas,
insustentáveis amarguras do amanhã,
amarras de cristal e vime,
nessas mãos que protegem o mundo,
ao nascer de um novo dia…

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 4.5/10 (2 votes cast)
Share on Facebook

Tempos Paralelos

Posted: May 14th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

é entre gotas que te fujo,
escapo em passo acelerado,
com receio dissolvo e nado,
entre salpicos que te bajulam,
e palavras garantidas,
a ferro quente forjadas,
cravadas no tempo que nos uniu,
e que ele mesmo sacudiu,
num sopro de solidão bojuda,
de raios gama e beta,
radiografias do passado,
a preto e branco guardado,
neste cofre de memórias,
amores e outras histórias,
que nos colam ao futuro,
e deixam o mundo na mão,
e a vida nos sonhos,
de noites bem passadas,
o elixir de novas páginas,
em pétalas esfregadas,
levemente manchadas,
a paletes de cinza e amarelo,
e perigosos batráquios côr de rosa…

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
Share on Facebook

A Tua Sombra

Posted: May 12th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

a consistência das inconsistências,
faz de nós quem somos,
quem não somos,
e quem queremos, sem querer…

invejo-me neste veleiro,
de asas na brisa e rumo ineficaz,
espelhado nas ondas desse sorriso,
que foge de mim,
desta criança assustada,
pela sombra em que te ergueste,
transformada pelo pesar mordaz,
de quem escolhe a tristeza,
para entrada e sobremesa…

é mais simples nadar em lágrimas,
do que no seco ecoar da felicidade…

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
Share on Facebook

Vitral Ferido

Posted: May 6th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

cubo de vidro…

ar do tempo que dorme,
na quietude do teu sono,
embalado em meus braços,
correntes que te prendem…

arte de relevo acanhado,
vácuo inerte, absorto, revoltado,
frágil ao te agarrar,
vaso de vida a transbordar,
discurso quebradiço, arranhado,
dessas tuas raízes de gelo,
a pingar meu coração esquecido…

resta-me o eco,
um reflectir distorcido,
do teu verdadeiro ser,
sincero querer,
terno derreter,
que na chuva despertou,
ao calor orgulhoso do fumo,
e no sol dissolveu,
na razão se esfumou…

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
Share on Facebook

Murmurar o Mar

Posted: May 4th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

era o mar que tinha razão,
nesta espuma de emoções,
ao rebentar de olhares amarrados,
ao mergulhar da laranja queimada,
entre brisas e brilhos ancestrais…

ele [o mar] falou-me do amor,
da solidão de uma palmeira,
da tua ilha perdida,
e de um mapa de tecido,
de trilhos traçados,
levemente cruzados…

ele [o mar] falou-me de nós,
de um destino brincalhão,
que esmaga e amassa,
cola e descola,
molda futuros e despedaça,
faz de ti um baloiço,
que parece não mais baloiçar,
perdido no outro lado,
em areias desconhecidas…

ele [o mar] falou-me de ti,
dessas janelas sinceras,
e da vontade da unidade,
de uma livre descoberta,
da ausência de saudade,
no refúgio do ser…

ele [o mar] falou-me de mim,
do egoísmo reprimido,
deste corpo à deriva,
dessa jangada que me abandonou,
e na distância acenou,
com aquele carinho que me conquistou,
desenhando no coração,
uma solitária prisão…

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
Share on Facebook

Banquete da Alma

Posted: May 2nd, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

espalham vazio,
regam o mundo que dorme,
a sangue de azedo odor,
e pesam virtudes,
aguçam os dentes na sombra,
agarram a carne da alma,
salivam pureza e toda a beleza,
consomem pecados,
fracções de inocência,
doce ignorância,
mágoas embriagadas,
em amores traídos,
de ódio engordurados,
sujos, maltratados,
sementes murchas,
pisadas pela chuva de quem chora,
enfeitam o festim,
esta dança canibal,
selvajaria tribal,
de resíduos sentimentais,
que fazem de nós,
disformes animais…

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
Share on Facebook

Sonhos do Louco

Posted: May 2nd, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

sou nada,
terra do mundo,
pó de vidro amolgado,
pedaço de peito rasgado,
coração dilacerado,
na putrefacta resignação…

sou espectro de raiva,
saliva de desilusão,
egoísmo dilatado,
imensidão anulada em demência,
escravo da decadência…

sou o número treze,
o homem do medo,
de risco traçado,
em guloso perímetro,
nesse refúgio,
nessa linha amarela…

sou estaca zero,
volto a mim ao acordar,
e amarram-me aos erros,
que se vendem caro,
que se pagam a dobrar,
e consomem os sonhos,
de quem nasceu para voar…

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
Share on Facebook

Ele Voa

Posted: April 28th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

o meu amor voa,
o meu amor voa…

é livre de planar e sonhar,
de escrever na lua,
riscar o peito e ter-te nua,
em hora tardia,
longe na sombra,
no escuro soluçar,
entreaberto coração,
palpitar monocromático,
desse arco-íris melancólico,
fresco nesta face deformada,
e nas encruzilhadas do teu cabelo,
que amarra meus dedos,
e enrosca minha alma,
de aura espremida e violeta,
em odores cosmopolitas,
e desejos berrantes,
errantes…

ele voa,
ele quer voar,
ninguém o vai agarrar…

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0.0/10 (0 votes cast)
Share on Facebook