Posted: May 30th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
não quero ser todos,
banal na generalidade do meu sexo…
recuso uma vida já escrita,
gravada e gasta na velha fita…
e se nada me resta,
resta-me o sorriso…
ah… o sorriso…
sorriso é um doce que dança no vento,
rodopia no deslizar de minhas lágrimas,
ilumina os olhares mais distantes…
sorriso é um espelho da alma,
um desembrulhar de felicidade,
uma sombra sincera ao pôr do sol…
sorriso é tudo o que somos,
tudo o que temos e desejamos,
refúgio da solidão…
sorriso és tu…
e se nada me resta,
restas-me tu…
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Posted: May 28th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
pálidos tons penteados,
nesta minha aguarela translúcida,
suaves carícias e desejos,
dicotómicos sentimentos elaborados,
numa pasta ardente,
queimados…
pinceladas atómicas,
agulhas de aborrecimento tricotadas,
orgulhos avultados,
e linhas cruzadas,
afastadas…
recortes de amor,
picotado na paixão,
no receio da desilusão,
irónica…
barro harmónico,
jasmim de carvão,
duro…
escultura de frio,
gelado…
distante…
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Posted: May 27th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
ela,
de seu nome morte,
também chora doçura,
mil águas de arrependimento,
de um cru vazio de tudo,
desertos do inverso ao mundo,
do avesso a nós,
em orifícios de negro vestido,
cínico e veloz ofício,
desta cruzada final,
por tão desmedida palavra,
ambiciosa eternidade,
hoje em tua voz calada,
pela cidade abafada,
gastou-se em mim,
afogou-se em ti,
partiu rumo ao abismo,
nesse olhar sem fim…
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Posted: May 21st, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
a vida e as suas mentiras,
contos de fada efémeros,
sonhos mutilados,
culpa de um repouso dormente,
alheio a esse corpo despido,
inocente…
cru…
apagado…
beco de ausência e fumo,
realidade conturbada,
raízes e palavras enterradas,
em caixas de madeira apáticas,
de olhares que se afastam,
de quem dá e tira,
cavaleiros da razão,
inimigos dos sentidos,
da ridícula natureza humana…
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Posted: May 18th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
estava sentado…
sentado no velho muro de pedra,
musgo e latão escorriam arrastados,
pelo tempo que quebra,
a sóbria desilusão de ti,
de flor italiana,
a princesa deslavada,
em acre rendilhado na voz,
de títere da vida desamarrado,
escrava de um destino atroz,
prolixidade arrebatadora,
ao receio de nós,
nesta censura avassaladora,
que nos tem sós…
levanto a sombra,
ergo-me em fatias de orgulho,
e afasto-me…
afasto-te…
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Posted: May 15th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
ruídos solidários com a tua dor,
batem na velha porta de cedro,
deste coração de telhados de colmo,
onde a chuva repousa em segredo,
num tropego latejar em declive,
entre fendas remendadas de desprezo,
e correntes de ferrugem do passado,
dessa menina arisca endiabrada,
de olhos de vidro e brilho e vida,
e a selva no horizonte isolada,
protegida entre pestanas enroladas,
ofuscada na mágoa da descoberta,
ao descascar da alma enigmática,
nesse doce colorido âmbar e lacrimoso,
onde jaz este ser ocioso,
bonifrate ao alcance dessa aura,
dessa presença camuflada,
de criança mal amada,
na inconsequência desse nome,
mártir dos meus pecados,
ar de futuro incerto,
rimas e encruzilhadas,
insustentáveis amarguras do amanhã,
amarras de cristal e vime,
nessas mãos que protegem o mundo,
ao nascer de um novo dia…
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Posted: May 14th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
é entre gotas que te fujo,
escapo em passo acelerado,
com receio dissolvo e nado,
entre salpicos que te bajulam,
e palavras garantidas,
a ferro quente forjadas,
cravadas no tempo que nos uniu,
e que ele mesmo sacudiu,
num sopro de solidão bojuda,
de raios gama e beta,
radiografias do passado,
a preto e branco guardado,
neste cofre de memórias,
amores e outras histórias,
que nos colam ao futuro,
e deixam o mundo na mão,
e a vida nos sonhos,
de noites bem passadas,
o elixir de novas páginas,
em pétalas esfregadas,
levemente manchadas,
a paletes de cinza e amarelo,
e perigosos batráquios côr de rosa…
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Posted: May 12th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
a consistência das inconsistências,
faz de nós quem somos,
quem não somos,
e quem queremos, sem querer…
invejo-me neste veleiro,
de asas na brisa e rumo ineficaz,
espelhado nas ondas desse sorriso,
que foge de mim,
desta criança assustada,
pela sombra em que te ergueste,
transformada pelo pesar mordaz,
de quem escolhe a tristeza,
para entrada e sobremesa…
é mais simples nadar em lágrimas,
do que no seco ecoar da felicidade…
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Posted: May 6th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
cubo de vidro…
ar do tempo que dorme,
na quietude do teu sono,
embalado em meus braços,
correntes que te prendem…
arte de relevo acanhado,
vácuo inerte, absorto, revoltado,
frágil ao te agarrar,
vaso de vida a transbordar,
discurso quebradiço, arranhado,
dessas tuas raízes de gelo,
a pingar meu coração esquecido…
resta-me o eco,
um reflectir distorcido,
do teu verdadeiro ser,
sincero querer,
terno derreter,
que na chuva despertou,
ao calor orgulhoso do fumo,
e no sol dissolveu,
na razão se esfumou…
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Posted: May 4th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
era o mar que tinha razão,
nesta espuma de emoções,
ao rebentar de olhares amarrados,
ao mergulhar da laranja queimada,
entre brisas e brilhos ancestrais…
ele [o mar] falou-me do amor,
da solidão de uma palmeira,
da tua ilha perdida,
e de um mapa de tecido,
de trilhos traçados,
levemente cruzados…
ele [o mar] falou-me de nós,
de um destino brincalhão,
que esmaga e amassa,
cola e descola,
molda futuros e despedaça,
faz de ti um baloiço,
que parece não mais baloiçar,
perdido no outro lado,
em areias desconhecidas…
ele [o mar] falou-me de ti,
dessas janelas sinceras,
e da vontade da unidade,
de uma livre descoberta,
da ausência de saudade,
no refúgio do ser…
ele [o mar] falou-me de mim,
do egoísmo reprimido,
deste corpo à deriva,
dessa jangada que me abandonou,
e na distância acenou,
com aquele carinho que me conquistou,
desenhando no coração,
uma solitária prisão…
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