Ele Voa

Posted: April 28th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

o meu amor voa,
o meu amor voa…

é livre de planar e sonhar,
de escrever na lua,
riscar o peito e ter-te nua,
em hora tardia,
longe na sombra,
no escuro soluçar,
entreaberto coração,
palpitar monocromático,
desse arco-íris melancólico,
fresco nesta face deformada,
e nas encruzilhadas do teu cabelo,
que amarra meus dedos,
e enrosca minha alma,
de aura espremida e violeta,
em odores cosmopolitas,
e desejos berrantes,
errantes…

ele voa,
ele quer voar,
ninguém o vai agarrar…

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Fado de Fruta

Posted: April 15th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

negros,
estranhos a nós,
fados tricotados,
nas asas de uma guitarra,
na minha voz,
oca, rouca,
dos tentáculos dilatados,
em doce estrangular,
quentes laços,
chupões gulosos,
marcas para a vida,
cicatrizes forjadas,
a mágoa e veneno,
nos trilhos onde me arrasto,
faço do lodo alimento,
desta alma esboçada,
por um lápis perfumado,
que te prende o cabelo,
revela o pescoço,
a doçura da pele,
o brilho do mel,
e o aroma natural,
de morango embriagado,
num mar de chocolate,
derretido no fogo,
dessa boca ardente,
de lamentações derramadas,
notas vibradas,
em duetos eróticos…

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Sentidos ao Chão

Posted: April 12th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

sei de mim,
o que vi no chão…

pedacinhos de lixo,
papeis de gelado,
daqueles de Verão,
recortes rasgados,
jornais esquecidos,
desse Outono passado,
de aroma castanho,
carbónico nas pontas,
nos extremos aspirados,
de cigarros sem alma,
absorvidos pelo tempo,
grãos de areia salgada,
dessa terra sonhada,
desse mundo onde somos sós,
onde somos só nós,
e as nuvens aquecem,
como mantos reflectidos,
nesta poça de lama,
que piso distraído,
levado pelo coração,
de uma mente vagueando,
furando mil sentidos,
para uma só vida…

a minha…

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Vultos na Noite

Posted: April 12th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

era já noite escura,
nesse núcleo espacial,
de misturas alucinadas,
culturas convergentes,
e mundos místicos,
destes seres suados,
escorridos, molhados,
entre fricções eróticas,
gestos provocantes,
longos, lentos,
excitantes,
em suspiros abafados,
murmúrios silenciados,
os olhos babados,
experimentam sabores,
absorvem odores,
colam-se à lua,
de silhutea crua,
despida do sol,
oculta no ópio,
que pinta ilusões,
desse conforto fugaz,
êxtase inconsequente,
e peito dormente…

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Jardim de Mudança

Posted: April 11th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

estendo-me…

da verdura do canteiro,
ao chão de jasmim,
estico meu ser,
molhado em carícias de chuva,
agarrado pela brisa,
num cantinho de esperança,
do mais puro respirar…

vejo-me a chorar…

entre vultos transparentes,
ausências de solidão,
em meu espaço,
o meu abraço de quietude,
rende-me,
vende-me ao vazio,
no conforto do silêncio,
em cruel apagar,
deste meu triste olhar,
frígido…

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Sombras de Vida

Posted: April 4th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

eram de pedra,
sabiam a rascunho,
imundo,
num odor corpulento,
quente, sufocante,
de quem rasteja,
ofegante,
prisioneiras das ondas,
despidas nas uvas,
pisadas,
como o frio da noite,
que em ríspido assobiar,
me rouba o paladar,
de tão sofrego baloiçar,
deste pêndulo vadio,
contador de vidas,
de histórias como esta,
loucuras desmedidas,
mentiras e máscaras,
personagens do momento,
instantâneas, inocentes,
indecentes,
despidas de mim,
de ti,
de nós,
de quem vem,
de quem vai,
de quem passa,
num resvalar sincronizado,
atinado, desvairado,
de almas apagadas,
esquecidas…

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Largaste-me

Posted: April 3rd, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

quem me dera saber,
segredos de nós,
pontinhas soltas,
desencontradas…

quem me dera esquecer,
seguir e perder,
mas é mais que o mundo,
menos…

alcoólico beijo,
translúcido relance,
desta mente obscura,
louca…

quem me dera ter,
a musa da selva,
livre nesta jaula,
neste quadrado coração…

quem me dera o olhar,
que agora me larga,
não luta,
desarma,
guarda o brilho na gaveta,
e mostra-se fraco,
fraquinho…

quem me dera ser eu…

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