Vou-me

Posted: March 31st, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

em decréscimo,
acrescento veias,
a um mundo de sabão,
e sangue…

bebo de ti,
da tua efervescência,
de salpicos arremessados,
em trajectórias convergentes,
neste jarro de amor,
alma sem sabor…

abato-me,
sobre um leito de espinhos,
derramado em ausência,
louca destreza emocional,
tempestade sentimental,
ridícula, intelectual…
e vou-me na luz,
em cerradas partículas,
amolgadas pelo tempo,
de luto cinzento,
e peste de mofo,
poeiras do passado,
desse caminho errado,
em mim injectado…

até breve…!

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Ar e Vida

Posted: March 28th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

um beijo a estalar,
na bochecha lambida,
é música no ar,
eco de vida,
som de embalar,
loucura temida,
estranho navegar,
calma perdida,
doença bipolar,
chama escondida,
arde a ralhar,
em silêncio envolvida,
vem-nos despertar,
a pestana tremida,
de atribulado sonhar,
e a mente sumida,
no fundo do mar…

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Colina

Posted: March 26th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

ofegante,
de língua dormente,
e bomba no peito,
mergulho nas cascatas,
de vidro e luz,
dessa cidade adormecida,
a nossos pés estendida…

{ a cidade }

numa dança de mãos,
e gestos ocultos,
descubro-te as linhas,
deslizo no algodão,
e tricotamos carinhos…

{ a cidade }

os contornos do rosto,
a textura dos lábios,
o olhar derretido,
mimado, colado,
por mim absorvido,
desejado…

{ a chuva }

um abraço de amigo,
um beijo sentido,
a procura de ar,
um duro aterrar,
e o mundo a sonhar…

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Abutre

Posted: March 25th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

sou selvagem,
rasgo palavras,
arremesso sentimentos,
esmago o crânio,
neste muro de sangue,
vomito revolta,
choro o ódio de mim,
em lágrimas de urânio,
espinhos da desilusão,
paladares de jasmim,
de vinagre e alecrim,
de amarga solidão,
no esfaquear repetido,
dessa alma inocente,
que implora um sentido,
e jaz dormente,
num sono dissolvido,
pela indiferença marcado,
violado…
e no cair do negro,
sou o nojo do momento,
um triste lamento,
com olhos de poço,
sem fundo ou apreço,
pela presença esfumada,
turva, desolada,
desalmada,
da tua sombra…

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Bar

Posted: March 23rd, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

… entrar …

encostada,
no canto mais canto,
dessa sala angular,
estás deslocada,
monotonamente varrida,
em tons de cartoon…

… observar …

no cinzento da envolvência,
de tão suja ambiência,
odores indelicados,
diálogos inválidos,
despidos, humilhantes,
dentes metálicos,
pensamentos fálicos,
em gordura envolvidos…

e as mangas coladas,
destes bustos de balcão…

… desejar …

o bâton verde,
os olhos de fogo,
o álcool na língua,
o espesso decote…

… imaginar …

o teu vestido,
no chão do meu quarto,
o teu corpo,
nos lençóis desta cama,
em meu corpo rígido,
num coito selvagem,
de animalescas posições,
doce brutalidade,
dilacerados arranhões,
e um abraço de amizade,
um cachimbo da paz,
e um adeus eterno…

… acordar …

na sarjeta deitado,
conspurcado,
preso ao amoníaco,
dessa fresca magnólia,
companheira da degradação,
de ressacas amorfas,
e novos começos,
repetidamente martelados,
nesta mente forjada,
a licor de mel,
e anjos de papel…

fosse eu um super herói…!

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Nova Primavera

Posted: March 23rd, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

o inverno quebrou,
bateu no limite,
rachou e chorou,
lavou a tristeza,
e o frio ficou,
na flor de cerejeira,
pálida em tua janela,
imune ao pentear do vento,
inerte a carícias solares,
pingada de orvalhos,
e fumo sufocante,
arremessa lembranças,
coloridos retalhos,
desta manta de avó,
inalcançável no tempo,
em atmosférica altura,
invariável,
deixa-me à distância,
encostado a esse vaso,
a que chamam coração,
em rebelde elegância,
e violenta percussão,
esgrime em surdina,
uma nova primavera…

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Paz no Coração

Posted: March 21st, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

tomas por certo,
por inabalável garantido,
esse capricho formal,
desprovido de sentido,
na certeza da incerteza,
das escolhas que fazemos,
dos caminhos que escolhemos,
que fazem da nossa vida,
uma doce investida,
por cantinhos sumarentos,
e amargos pântanos,
prisões de lodo,
para não mais voar…

mas a vontade é de lá,
conhece caminhos tortuosos,
atalhos dolorosos,
que nos arrastam para cá,
e libertam as hélices,
na procura desse plano,
dessa nobre missão,
de encontrar o perdão,
e a paz no coração…

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Noite Constipada

Posted: March 20th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

a noite estava rouca,
e não podia falar,
tinha perdido a lua,
e só queria viajar,
em ondas de querer,
e sons de rua ao amanhecer,
calados…
fugimos mas ficamos,
colados à penumbra,
amarrados a beijos,
abandonados,
nunca publicados…

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Esquema Temporário

Posted: March 19th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

o hoje…
é cedo demais,
no arrastado caminhar,
de dias ocultos…

o amanhã…
é tarde demais,
no feroz galgar,
deste sonho de boneca…

o ontem…
trouxe-o comigo,
embrulhado em papel,
de jornal queimado,
nessa ponta de cigarro,
mal apagado…

"fronteiras e barreiras foram já quebradas, ultrapassadas…"

o resto…
fica enterrado,
para sempre guardado,
pela terra,
por esse velho sapato,
de sola furada,
e língua rasgada…

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Amor Óptimo

Posted: March 18th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

um beijo…

fala,
tem vida,
tem alma,
acalma…

não há conversa mais interessante
que um simples beijo de amor…

ah…
o amor…
esse holograma,
em tons de vermelho…

matéria de desilusão,
fisicamente inquebrável,
teoricamente inabalável,
dissolúvel nas lágrimas,
de destinos traídos…

máscara de sentimentos,
de ódios e desalentos,
mil formas em mil momentos,
velha carcaça do tempo,
nas entranhas do coração,
desperta ao pôr do sol,
desfigurado, disfarçado,
em intragável mutação…

mas é tão bom!

e depois?… desilusão?…

o que importa,
se do outro lado,
dessa negra porta,
temos a morte,
desejando má sorte?…

come e bebe…
não! devora…
absorve e transforma,
agarra e não largues,
vive e soma,
mas nunca te apagues,
de mim e do mundo,
dos teus e dos outros,
de ti…

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