Ternura de Limão

Posted: December 27th, 2007 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

espessa…
inerte,
impaciente de ambição…
olhar de aconchego,
no ondular do teu limão…
amarelo,
em sumarento garrido,
entre moínhos esquecido…
e sigo altivo,
de solidão embriagado,
na proa da tigela sentado,
qual piano enamorado…
de sorriso em riste,
como um selvagem,
a roer o pôr do Sol,
numa tarde de papel…

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Esfinge de Mulher

Posted: December 27th, 2007 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

na tua forma delicada,
de princesa apaixonada,
com beicinho brilho gloss
e pele de mar,
de Saara ao pôr do Sol,
roubas olhares,
e corações distraídos…

és de modas,
és de cremes e aromas,
de suaves paladares
e cabelo de amoras silvestres,
de ternura no coração…

és de ti,
és do mundo e de ninguém…

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Amor de Verão

Posted: December 27th, 2007 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

um vaso de luz,
um mar de jasmim,
e o mundo a teus pés…
uma palavra molhada,
uma gota de areia,
e a lua rasgada…
um espelho de ti,
uma pauta de mim,
e um beijo de neve…
um beijo de sol,
e um Amor de Verão.

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Doença do Ego

Posted: December 27th, 2007 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

nos lábios pálidos,
de um olhar profundo…
na face em cascata,
de um corpo disforme…
vejo a sombra do mundo,
o abismo da febre,
um paraíso de açucar…
pinto a tua face,
em lágrimas de metileno,
a sangue e veneno…
e afasto a tua mão…
cravo a minha vida,
e uma agulha em teu coração…
não pretendo ficar,
lutar ou sonhar,
ter fé de escapar…
desejo voar,
ver o mundo abrandar,
diluir-te em egoísmo,
e ver-te chorar…

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Dor Universal

Posted: December 27th, 2007 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

astros divagantes de mel,
por entre as brumas incógnitas
do calor pálido de fim de tarde,
que fica…
e a eterna voluptuosidade
do azul do mar que é céu,
e da vida oxigenada por metamorfoses
vaidosas e subitamente intragáveis…
pelo entalado prisma temporal…
e chove veneno a tremer…
da luz mística e anulada
pelo nevoeiro de cadáveres a dançar,
e do peso do anzol viscoso…
o nojo e a repugnância do ser
reflectido no lago da alma
que faz espetar agulhas nos olhos
e queimar as orelhas de pedra…
e dói?…
não… dor é aquela do passado
que ainda dói hoje,
e que eu sei,
que amanha irá doer…
dor é aquilo que não tenho…
amor é aquilo que não temo…

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O Espectáculo

Posted: December 27th, 2007 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

guitarra que arde
que lamenta e que chora,
toco em suas cordas
que cortam meus dedos…
e a musicalidade em meus ouvidos
em surdina de prazer…
o sangue cega-me…
no esfumar da audição,
incha-me o cérebro,
o público morre,
esqueletos que dançam
na sonora atracção,
da negra guitarra
no tempo perdida,
de braço no coração…
espetada…
quebrada de quem não ouve sua canção…
e atrai sobre si
o infernal perdão
de loucura que mastiga
meu corpo até saciar,
o infinito desejo de te amar…
tu… que me vês tocar,
em desmedido desespero,
vens a correr me abraçar
e o estridente turbilhão,
de cordas a estourar,
faz o meu coração
só pensar em se entregar…
e eis que termina a música
e a guitarra de galopar,
já desfigurada
de tanto cantar,
ouve agora o nosso amor
que faz o público voar,
e nossos corações aconchegar…
termina o espectáculo,
a sala fica fazia,
vazia de terror,
de morte e de dor,
mas cheia de nós…
cheia de amor…
abraçados no palco da vida,
entregues a este sentimento,
sorrimos para a cortina,
que nunca se irá fechar,
pois nosso infinito amor
para sempre irá durar…

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O Fim

Posted: December 27th, 2007 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

no tridimensional berço do fim dos tempos
não dorme o amor…
no estalar dos velhos moinhos
e no romper de estrelas e planetas,
aquando da queda do império de fogo
e da fúria dos vulcões de sangue,
das tempestades de enxofre
e das radiações cortantes,
do desejo da carne e do prazer,
do sexo bruto com as máquinas mortais
do esqueleto de âmbar,
nada mais existirá…
o tempo irá parar
com o repetido lamento
do tocar de corpos ardentes
no gelo do anoitecer…
tudo é cinzento,
tudo é penumbra e dor,
não há Morte,
mas tudo é Morte…
sinto o fim na minha espinha,
consome-me sem piedade
e range de prazer…
pequei,
mas também amei,
e o amor não dorme aqui…
fui absorvido por completo,
estou pálido,
sou já uma silhueta de areia
fluminada em água do sol,
perco a esperança,
e tudo morre à minha volta,
só eu teimo em resistir
…porque será?…
já com meu corpo disforme
e minha mente triturada,
vi o amor beijar minha alma,
e minha alma na tua…
entreguei-me então,
à sombra do teu calor
…morri…
meu corpo estalou nos pregos de luz,
mas minha alma ficou contigo
para todo o sempre…
sou teu por fim…
não fujas…
entrega-te e ficaremos unidos
…a Morte venceu…

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A Semente do Ódio

Posted: December 27th, 2007 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

da incandescente luz
que escorre das árvores de ferro,
dá prazer aos mortos
e faz os vivos pecarem,
vem a semente de horror a surdir,
em fogo semeada,
lavada…
bebe o sangue de amor,
viola o ventre bradante
das dores estridentes e roucas,
dos escombros da razão…
e do pensamento errante,
nasce o mal…
nasce o assassino iníquo,
que molesta o coração
e aflige impiedoso
as ruínas e melodias
de sentimentos devassos,
há muito tempo idos,
escassos…
do inconsciente da pérola,
rubra e cintilante,
que de tão rara
mendiga por muito,
sem que muito tenha eu para dar…
senão a minha vida…

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Amor… sempre!

Posted: December 27th, 2007 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

amor…
sentimento engraçado,
sempre alegre,
suave e sonoro…
palpita harmonias
na pauta do momento…
vadio nas tranças da vida,
solene no enredo da morte…
egoista e furtivo…
fugaz…
doce e viciante,
droga alucinante…
sonho sincero,
dissolve ao despertar…

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Setinha Laranja

Posted: December 27th, 2007 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »

setinha cor de laranja,
porque amarela não és
eu choro…
porque apontas o caminho,
de forma triçoeira,
eu perco-me…
porque és afiada,
inimiga do amor,
meu coração fica ferido…
setinha, setinha…
porque não brilhas,
na penumbra do anoitecer,
e te deixas apagar,
apenas para te perder,
para me enganar…
porque assim nasceste,
assim ficaste,
nunca mudaste…
laranja…
laranja…

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