Posted: February 3rd, 2010 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
palpita o vento lá fora,
no tempo vadio de uma noite em claro,
onde a chuva é o conforto dos sentidos,
o leito de tão singular figura,
tatuada a vestígios de língua,
carne de sumo selvagem,
fresca vertigem de amargura…
amas com os lábios,
quem não tem teu coração,
e encerras-te na vida,
entre boémias, encharcadas seduções,
recônditos recantos de retalhos rasgados,
e pequenas ilusões,
desilusões…
és de mim ao acordar,
ao adormecer…
és de mim sem querer!
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Posted: February 1st, 2010 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
de teu olhar escorre o silêncio,
quando ao abrir o escondes,
entre ruas estreitas,
húmidas no repetido amontoar,
de consciências viscerais,
tumultos carnais,
à sombra deste vulto rendido,
a quem chamaste segredo…
absorto em fragmentos de passado,
fios de luz espelhados,
na íris beijada,
a mim colada…
e acorda-me o pingar da solidão,
o trémulo sorriso de plástico,
onde tudo é tão pequeno,
apertado…
abafado…
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Posted: June 16th, 2009 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | 1 Comment »
o amanhã que o vento me traz,
nesse obtuso esquadrinhar,
esbarra em teimoso empecilho,
de andar desengonçado,
bruxuleante ternura,
trémula doçura,
que no suave derivar,
de trilhos e fados alados,
me carrega na velhice,
no miolo da multidão,
entre morrinha e tolice,
o que foi que eu disse?
perdido, achado,
levemente enamorado,
por quem fui e não amei,
por quem nunca voltarei,
do mudo arrepio desse olhar,
cansado de aqui morar…
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Posted: June 12th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
na era dos cavaleiros,
vagueava execrado,
em trajes de puro desagrado,
enquanto sonhava a princesa,
e roía o sapato,
tiritava na neblina,
escorrer do anoitecer,
pelos negros tabiques desalinhados,
desse alguidar de peçonha,
leito de feno,
enxerga medonha,
escultura estéril,
árida à luz da candeia,
qual mel ofuscado,
consumido do nada,
na veloz estocada,
dessa aromática espada,
por tão bela dama,
manejada…
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Posted: June 4th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | 1 Comment »
saber quem sou,
para saber quem és…
peça delicadamente estudada,
de teimosia estruturada,
ao extrapolar de emoções,
abalada e encharcada,
em meu olhar de menino,
inocente, perdido,
neste orgulho ferido,
por traços marcados,
nessa face de açucar…
feliz…
dizes de ti com a certeza,
de quem sussurra pelo sol,
ao ouvido do mar…
triste…
digo de ti com a certeza,
de quem te fala ao coração,
sem palavras ou argumentos,
apenas doces memórias…
…
repouso num arrepiado aguardar,
recostado a este muro de pedras,
soltas, despegadas,
fortaleza do teu olhar,
temporário refúgio da alma,
de um sono naufragado…
…
queres um beijo de acordar?
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Posted: June 3rd, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
o que fazer?… interrogo…
ao ver-te passar,
caprichoso caminhar,
no percutir de estilhaços,
entre dúvidas arrastados,
por tão frios passos…
o que fazer?… interrogo…
entre frios estilhaços,
tão arrastados passos,
no percutir ao passar,
de dúvidas caprichoso,
por ver-te caminhar…
o que fazer?… interrogo…
no caprichoso percutir,
de estilhaços arrastados,
dúvidas ao caminhar,
por ver-te entre passos passar,
tão frios…
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Posted: June 2nd, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
sou do tempo a que chamo velho,
venho de longe,
onde nem teu olhar alcança,
onde és princípio e fim,
desse leque oriental,
vincado em nossas mãos,
agitado ao sabor dessa boca,
que me leva e me faz homem,
obeso de sentimentos,
pesado de chumbo e amargura,
inútil nessa auto censura,
que te propões apregoar,
ao rasgar das ondas do mar,
nos momentos de loucura…
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Posted: May 30th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
não quero ser todos,
banal na generalidade do meu sexo…
recuso uma vida já escrita,
gravada e gasta na velha fita…
e se nada me resta,
resta-me o sorriso…
ah… o sorriso…
sorriso é um doce que dança no vento,
rodopia no deslizar de minhas lágrimas,
ilumina os olhares mais distantes…
sorriso é um espelho da alma,
um desembrulhar de felicidade,
uma sombra sincera ao pôr do sol…
sorriso é tudo o que somos,
tudo o que temos e desejamos,
refúgio da solidão…
sorriso és tu…
e se nada me resta,
restas-me tu…
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Posted: May 28th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
pálidos tons penteados,
nesta minha aguarela translúcida,
suaves carícias e desejos,
dicotómicos sentimentos elaborados,
numa pasta ardente,
queimados…
pinceladas atómicas,
agulhas de aborrecimento tricotadas,
orgulhos avultados,
e linhas cruzadas,
afastadas…
recortes de amor,
picotado na paixão,
no receio da desilusão,
irónica…
barro harmónico,
jasmim de carvão,
duro…
escultura de frio,
gelado…
distante…
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Posted: May 27th, 2008 | Author: ivosilva | Filed under: Uncategorized | No Comments »
ela,
de seu nome morte,
também chora doçura,
mil águas de arrependimento,
de um cru vazio de tudo,
desertos do inverso ao mundo,
do avesso a nós,
em orifícios de negro vestido,
cínico e veloz ofício,
desta cruzada final,
por tão desmedida palavra,
ambiciosa eternidade,
hoje em tua voz calada,
pela cidade abafada,
gastou-se em mim,
afogou-se em ti,
partiu rumo ao abismo,
nesse olhar sem fim…
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